3 perguntas para Saulo Gomes, criador do O Cortiço

Saulo Gomes – Criador do jogo O Cortiço

Essa semana quem passa por aqui respondendo minhas 3 perguntas é Saulo Gomes, criador de um jogo de tabuleiro baseado em uma obra clássica da literatura brasileira, O Cortiço que foi lançado pela Idea Jogos, confira suas respostas!

Por que jogar?

Assim como a leitura, os jogos de tabuleiros e de cartas atuam em um outro espaço. É como se um mundo alternativo fosse criado, operando sobre uma lógica própria, na qual ou nós nos envolvemos com ela, ou nada daquilo faz sentido.

Basta pensar no Xadrez, com cada peça possuindo uma regra, que interage com as demais para criar o todo harmônico.

Ou então em um soneto, que segue regras de construção, ritmo e métrica, e que, se o leitor não se torna parte do jogo proposto, não descobre novas formas de compreensão.

Dessa forma, jogamos, da maneira que for, para nos afastarmos dos sentidos presentes no mundo real e possamos ressignificá-los a partir de uma outra lógica.

Por que criar jogos?

Na proposta do Adamastor, projeto que desenvolvo, com a adaptação de obras literárias para jogos de tabuleiro e cartas, a criação de jogos vem para problematizar uma questão: obras como O Cortiço, os contos de Machado de Assis ou Os Lusíadas, de Luís de Camões, fazem parte do nosso repertório cultural, contudo eles se mostram distantes da realidade de leitura de muitas pessoas.

Muitos sabem que existem tais obras, mas quantos efetivamente leram e, mais do que isso, quantos tiveram uma leitura proveitosa, para além da “exigência” escolar?

Por isso, criar esses jogos atende a um duplo caminho: por um lado, apresenta tais livros sob outra perspectiva, lúdica, de mergulhar no universo criado pelo autor, fazendo com que novos potenciais leitores surjam; por outro, funciona como uma revisitação do livro, para aqueles que já conhecem e reconhecem a lógica e os sentidos construídos ali, agora com outro viés, mais interativo.

Um jogo especial para você e porquê

Jogo de tabuleiro O Cortiço

Mesmo sendo suspeito para falar, pois os pais sempre embelezam os próprios filhos, considero O Cortiço um jogo especial.

Não apenas por termos mantido a fidelidade à atmosfera do romance de Aluísio Azevedo, mas por conseguirmos tirá-lo da tentação de uma dinâmica “escolar”, no sentido de que ele seria usado apenas no contexto de sala de aula.

Jogá-lo com pessoas de quinze anos e também de quarenta, num sábado à noite, e eles aproveitarem, e descobrirem quem é Rita Baiana, Jerônimo e Libório, é algo que me deixa muito feliz.

Se você gosta do meu conteúdo descubra os  jogos mais legais e as melhores dicas, lá no meu INSTAGRAM!

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